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03
2016

Workshop de Chi Kung

Por Rollyn 0

A Neijia vai organizar no próximo dia 6 de Fevereiro nas suas instalações em Lisboa, um workshop de introdução ao sistema Lohan Chi Kung, um dos mais completos e fascinantes sistemas actualmente existente.

A grande particularidade deste sistema reside na construção da sua estrutura, desde os passos e exercícios mais simples até às mais complexas movimentações e entendimento da mecânica interna do ser humano.

O Lohan Chi Kung não é um sistema construído com base na acumulação de exercícios populares conhecidos, como por exemplo os 8 Brocados, Jogo dos 5 Animais, Abraçar a Árvore, etc, mas exercícios criados de raiz no século XIX, em que na sua génese estão profundas tradições budistas, transmitidas por um conhecido mestre Zen (Choy Fook) ao fundador deste particular sistema de Chi Kung (Chan Heung). Possui um matriz autónoma, coerente e funcional, em que as diferentes nuances se conjugam formando um sistema muito completo, cujos grandes objectivos passam não só pela optimização excepcional da saúde e bem estar, mas como um fantástico processo de auto-conhecimento e elevação mental.

Neste workshop serão abordadas temáticas únicas, alguma básicas e outras mais avançadas, e os participantes poderão experimentar as diferentes energias que cada uma matérias proporciona, numa academia preparada para a prática destas artes orientais.

O workshop será leccionado pelo professor Rolando Martins, director técnico da Neijia. Para detalhes acerca deste workshop, consulte as secções respectivas no seguimento deste texto.

Para informações adicionais, é favor contactar para o email info@neijia.pt.

Entender o Chi Kung

O Chi Kung pode ser definido como um conjunto de exercícios de natureza holística com enormes benefícios para a saúde e bem estar do praticante. Associado atualmente a um conceito wellness mais alargado e normalmente incluído como complemento na Medicina Tradicional Chinesa, é na realidade muito mais que isso, encontrando-se nas suas raízes chinesas diferentes métodos e conceitos associados a áreas diferenciadas, utilizado como um meio para distintos objectivos e não como uma finalização última do próprio exercício.

Podemos então alargar o conceito do Chi Kung e entendê-lo como um caminho para a elevação espiritual nas filosofias religiosas chinesas, um exercício simples de natureza espiritual e metafísica, um complemento interno nas artes marciais, um instrumento terapêutico da MTC ou simplesmente como um método holístico de exercício para o bem estar físico e mental.

Na realidade, e abstraindo-nos das tradições culturais e históricas, estes conceitos fundem-se entre si. Na forma contemporânea como atualmente entendemos o Chi Kung, a sua utilização prática é mais abrangente, complementando-se uns aos outros em distintas metodologias, sendo que a optimização da saúde anda quase sempre de mão dada ou com a elevação religiosa/espiritual, ou com a melhoria da prática marcial, ou com uma terapia particular da MTC, ou ainda outra razão qualquer, muitas delas já fora do difuso âmbito circunscrito em que foram desenvolvidas.

Convém entender também que Chi Kung não é o mesmo que Tai Chi. É verdade que ambos se desenrolam como um exercício suave de tecer a seda (na realidade o Chi Kung também ele pode ser efectuado de forma dura e tensa), de forma contínua e harmoniosa, respiração lenta e profunda. No entanto, o Tai Chi é uma arte marcial, teve origem em sistemas elaborados e sofisticados de defesa pessoal e o objectivo de cada um dos seus movimentos é a eficácia marcial. No Chi Kung, os exercícios estão associados à manipulação do Chi (energia vital) e visualização do mesmo em diferentes áreas do corpo e mente, em que os diferentes métodos de respiração consubstanciam os exercícios, dando-lhes uma dimensão muito além da manifestação física aparente.

Sobre o Lohan Chi Kung

Diferentes métodos e escolas de Chi Kung foram surgido através dos tempos, acumulando conhecimento e sabedoria, fundindo e incorporando distintas metodologias e influências. A escola Lohan é uma delas e ganha expressão como uma parte integrante e complementar do Choy Lee Fut, um dos sistemas mais importantes no universo das artes marciais chinesas, surgido no primeiro quartel do século XIX.

Circunscrito inicialmente ao círculo da família que lhe deu origem (família Chen de Ging Mui), é na década de 80 do século XX que explode a nível global, sobretudo graças ao incansável trabalho do mestre Chen Yon Fa (5ª geração da família Chen) que abre os ricos e profundos conhecimentos exclusivos da sua família ao mundo, tornando-se hoje provavelmente na escola mais famosa e completa entre as inúmeras que atualmente existem.

A escola nasce inspirada nas tradições Budistas, transmitidas ao fundador desta escola (Chen Heung) por um idoso mestre budista, cuja reta final de vida foi dedicada à contemplação e meditação no retiro de uma montanha sagrada (Lao Fu). Aqui, Chan Heung recebe e pratica diariamente os preceitos budistas, não só sobre uma matriz doutrinária como também sobre a forma de exercícios calisténicos holísticos e marciais, que emergirão posteriormente num sistema amplo e complexo conhecido como Lohan Chi Kung, parte integrante de um sistema mais vasto conhecido como Choy Lee Fut.

O significado de Lohan expressa a natureza dual da sua origem, onde matéria e espírito ganham corpo através da dança cósmica dos seus exercícios. O termo Lohan (muitas vezes Arhat) encontra a sua origem remota nas tradições Budistas e refere-se às pessoas no caminho para a Iluminação, mas sem ainda terem atingido o estado de Buda, revelando a natureza da sua matriz.

Hoje, a prática do Luohan Chi Kung adaptou-se à escala universal atingindo um patamar globalizado, à semelhança de tantas outras atividades e tradições do conhecimento humano. Desenvolveu-se de forma autónoma e evoluiu para um caminho de auto-regulação pessoal e um conceito mais alargado de saúde e bem estar, onde aspectos essenciais da própria natureza humana têm prioridade sobre qualquer tradição cultural e religiosa, adaptando-se também, e invariavelmente, ao modo de vida ocidental.

No entanto, a sua natureza original assim como os seus objectivos sem margem para distrações, mantêm-se: disciplinar corpo e mente através do exercício e respiração, regulando o fluxo energético (Chi) continua a ser a sua quintessence, uma destilação sofisticada e pura dos ancestrais conhecimentos chineses.

A prática

Nos exercícios simples de introdução à prática do Luohan Chi Kung, pode-se logo à partida perceber a natureza do sistema e percepcionar o caminho que orientará a aprendizagem. Executados de forma lenta e fluída, coordenados com uma respiração calma e controlada, monitorizados por uma mente focada e concentrada, são estes exercícios que estabelecerão a matriz que será utilizada posteriormente na prática dos encadeamentos, cada um destes com objectivos específicos, canalizados para um dos vários aspectos a desenvolver.

A simples prática regular e diária dos exercícios básicos cultiva os Três Tesouros: Chi (energia vital), Jing (essência) e Shen (espírito), aumentando consideravelmente o bem estar. Activa a passagem da energia vital pelos meridianos, fortalece órgãos internos, exercita articulações, desenvolve o relaxamento do corpo, corrige a postura corporal… O aprofundamento no sistema, multiplica consideravelmente os benefícios enunciados, estendendo-se este fortalecimento à mente e estado emocional.

São quatro os encadeamentos principais, existindo no entanto outros encadeamentos e exercícios que requerem algum conhecimento mais profundo, nomeadamente um entendimento da teoria médica tradicional chinesa.

O primeiro encadeamento, 18 Mãos para Estiramento e Fortalecimento de Músculos e Tendões, visa objectivamente o corpo físico. Um conjunto de exercícios relaxados no entanto dinâmicos e vigorosos, conectados e encadeados de forma contínua, fortalecerão particularmente o sistema esquelético-muscular, optimizando endurance, resistência e flexibilidade, permitindo uma abertura de todo o sistema articular do corpo e, consequentemente, um maior fluxo da energia vital (Chi). É o próprio movimento que gera e activa o fluxo energético.

No segundo encadeamento, Pequeno Buda, toda a dinâmica anterior muda. A harmonia e fluidez dominam a rotina com movimentos suaves e encadeados. Aqui é a respiração que guia o movimento e activa o fluxo energético, numa cadência fluida, contínua e profunda, com movimentos suaves e circulares. Advêm naturalmente as subtilezas Yin/Yang, onde cheio e vazio, em cima e em baixo, avançar e recuar, esquerda direita, permanecer centralizado, consubstanciam o entendimento da polarização dos conceitos. O estado de meditação desenvolvido é considerado dinâmico.

Grande Buda, o terceiro encadeamento, tem a particularidade de ser efectuado sentado cruzando as pernas, numa postura de lótus (pode também ser efectuado sentado numa cadeira). Aqui é utilizada essencialmente a mente para gerar a circulação do Chi, utilizando-se processos especiais de visualização em diferentes pontos dos meridianos centrais jen-mai e du-mai (ao contrário do primeiros encadeamentos cuja concentração energética é ao nível dos meridianos dos órgãos), com o auxílio de diferentes posturas (mudras) das mãos. A meditação é passiva.

O quarto encadeamento, Último (Grande) Vazio, combina as habilidades desenvolvidas nos anteriores três encadeamentos e tem, originalmente, propósitos marciais. Os movimentos são extremamente fluidos e encadeados, executados num corpo relaxado e suave. A quietude da mente funde-se com o movimento corporal, o rápido alterna com o lento, sendo um reflexo da dança cósmica Yin e Yang, onde a quietude gera o movimento e o movimento gera a extrema quietude.

Temário, requisitos de participação e horários

Neste workshop será feita uma breve introdução a cada um dos aspectos do Luohan Chi Kung, podendo os participantes saborear as diferentes nuances do sistema, entender a curva de aprendizagem e projectar um aprofundamento futuro nas matérias.

Será efectuado um estudo pormenorizado dos exercícios básicos e uma análise aos três encadeamentos principais do sistema, acima descritos, com explicações teóricas detalhadas e uma abordagem prática experimental. Devido ao carácter avançado e difícil execução do encadeamento Último Vazio, este será substituído pelo encadeamento Tai Gik (Supremo), ao qual será dedicado o mesmo tempo e detalhes que os restantes.

O workshop será efectuado no dia 6 de Janeiro, nas instalações da academia Neijia em Lisboa. A participação não tem requisitos de idade ou sexo, nem requer experiência prévia no sistema ou em outros sistemas. Um vestuário desportivo simples e uns sapatos desportivos leves, serão suficientes para a prática prevista de aproximadamente 2 horas, com início às 11h e fim previsto para as 13h.

O workshop terá um custo de 10,00€. As inscrições que sejam efectuadas até ao dia 31 de Janeiro, terão um desconto de 25%, resultando num valor final de 7,50€.

Para a reserva do lugar, basta solicitar o NIB da Neijia, efectuar a transferência e enviar o comprovativo junto com o nome completo do inscrito.

Devido a restrições de espaço, as participações estão limitadas às primeiras 16 participantes.

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