O Sanda desportivo

No Sanda existiam três maneiras de se ganhar: atirando o adversário fora da plataforma, nocauteando-o, obtendo mais pontos na troca de técnicas ou simplesmente levando-o a desistir com uma técnica de Chin-Na (situação menos provável). Esta estratégia baseia-se nas técnicas clássicas de bater e projectar dos sistemas tradicionais, sendo que um bom lutador de Sanda deve dominar de forma exímia cada uma das seguintes áreas:

  1. Da – Bater (com os punhos)
  2. Ti – Pontapear (com as pernas)
  3. Shuai – Projectar
  4. Na – Imobilizar

Devido às distintas áreas de intervenção, as estratégias são algo diferentes das que se observam em outros desportos de ringue, apresentando-se de forma mais fluída e circular, e a uma maior distância. No corpo a corpo entram em acção as técnicas de projectar e imobilizar; a uma maior distância utilizam-se as diferentes técnicas de mãos e pernas. O conjunto estratégico resulta por isso substancialmente diferente, tendo em atenção os distintos vectores e possibilidades que o conjunto de técnicas permite.

Os contricantes confrontam-se devidamente equipados com protecção de cabeça, peito, caneleiras e luvas, um de calções e t-shirt vermelho e outro de negro, assistidos por um árbitro de plataforma que controla o combate e cinco juízes de esquina que efectuam a contabilização dos pontos realmente obtidos. A vitória pode ser obtida por quem obtiver mais assaltos ganhos num conjunto total de três, efectuar um knok-out, ou ainda projectar o adversário para fora da plataforma duas vezes num combate.

Nos últimos anos o Sanda cresceu um pouco por todo o mundo. Campeonatos, torneios e lutadores têm-se profissionalizando, principalmente na China e EUA, tendo-se criado algumas ligas profissionais. Nestas lutas profissionais, as regras são um pouco diferentes e não há o uso de protectores de cabeça e tórax nem caneleira.

Em Portugal, o Sanda é uma modalidade amadora em franca expansão, constituindo uma das provas dos campeonatos nacionais e regionais de Wushu. Portugal já produziu campeões europeus e mundiais de Sanda a nível internacional, mas longe vão esses tempos com a subsequente profissionalização de várias ligas europeias, americanas e chinesas, em que o nível atingido é demasiado alto para quem interpreta esta disciplina como uma forma de defesa pessoal e manutenção física, e para as aspirações dos fracos monitores e instrutores que o nosso país produz, basicamente sem nenhuma experiência de campo.

 O Sanshou na Neijia

A WSTP representa a 5ª geração do sistema Choy Lee Fut da linhagem do mestre Chen Yon Fa, tetraneto do fundador. Como tal desenvolve a sua metodologia de combate e defesa pessoal baseada nas técnicas e estratégias deste sistema marcial, assemelhando-se na sua essência ao Sanshou criado e desenvolvido pelos militares chineses.

Não obstante, os seus instructores mais velhos possuem instrucção e qualificação no Sanda que promovem e divulgam como disciplina independente nas diversas escolas do país, numa abordagem mais ecléctica e amadora, promovendo a defesa pessoal, manutenção e integridade física dos seus instruendos de acordo com a moral das virtudes marciais (Wude).

Para os mais inquietos, a WSTP pormove e participa em alguns torneios amadores de contacto, seja nas suas vertentes mais duras, como o Sanda, seja nas vertentes mais populares e menos violentas como o Kung Fu Contact, uma competição promovida por algumas associações da região de Lisboa, em que se procura assegurar a integridade física dos atletas, recorrendo a um sistema de contagem de pontos similar às competições actuais de Kuoshu.

Na realidade, este tipo de competições, devido ao controle da agressividade dos atletas prevista nos regulamentos, permite uma maior riqueza técnica e uma introdução ao combate por parte dos mais novos, que muitas vezes se sentem intimidados pela violência das competições de Sanda.